Segurança Rodoviária em Aveiro: Mais vale cair em graça do que ser engraçado

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Avenida Europa (antiga EN 109), Aveiro.

A recente publicação da Câmara Municipal de Aveiro nas redes sociais, anunciando ironicamente no dia 1 de abril a instalação de radares fixos na Avenida Europa, é ilustrativa do descaso com que a autarquia encara a segurança rodoviária. Utilizar um tema tão sério como sinistralidade para fazer humor revela uma preocupante falta de sensibilidade institucional, ainda mais num país que, só no último ano, perdeu mais de 600 pessoas nas suas estradas, seguramente muitos deles, aveirenses.

Por Francisco Albuquerque *

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Aveiro não é exceção à tragédia nacional. A Avenida Europa, escolhida pela autarquia como palco da infeliz brincadeira, é justamente um dos maiores pontos negros do município. Excesso de velocidade constante, entradas e saídas mal dimensionadas, vias de aceleração com escassos metros, ausência quase absoluta de sinalização horizontal e travessias de peões arriscadas são uma realidade diária. Mas este panorama não se limita à Avenida Europa; em várias freguesias, a qualidade da rede viária deixa muito a desejar, colocando em risco motoristas e peões que por ali circulam.

A mobilidade ciclável, supostamente prioritária numa cidade que se quer moderna, continua fragmentada e improvisada. As poucas obras realizadas não resultam de uma estratégia clara, mas sim da típica abordagem camarária de mão estendida, sempre à procura do próximo fundo europeu disponível. Não há critério ou planeamento sólido, apenas o aproveitamento momentâneo de oportunidades de financiamento externo. É a velha política autárquica pobretana e ultrapassada: fazer apenas o que Bruxelas está disposta a pagar, sem avaliar devidamente custos ou benefícios reais para a população.

O estacionamento abusivo prolifera sem fiscalização eficiente, alimentando a perceção de que a Câmara teme desagradar a potenciais eleitores. Parece que, em Aveiro, mais vale cair em graça do que enfrentar as decisões difíceis que garantiriam, de facto, maior segurança rodoviária.

A verdadeira questão é que segurança nas estradas não deveria depender de financiamentos externos ou da popularidade política momentânea. É obrigação da autarquia atuar, investir e fiscalizar sem hesitações nem receios eleitorais. Em vez disso, prefere fazer humor com radares, revelando uma mentalidade limitada e uma preocupante incapacidade para lidar com problemas sérios.
Enquanto este paradigma não mudar, os aveirenses continuarão a assistir a uma política rodoviária pouco séria e pouco eficaz. Talvez fosse altura de o executivo deixar as piadas de lado e assumir, finalmente, responsabilidades concretas e ações consistentes, protegendo de uma vez por todas quem circula nas ruas de Aveiro.

* Gestor Industrial.

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